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segunda-feira, junho 28

 

ORAÇÃO OU IDEOLOGIA?

Lembro-me muitas vezes daquela frase do meu amigo frei Eugénio Boléo, OP. “A Fé e a Vida não podem ser gavetas separadas”. É uma frase que me acompanha desde os meus 13 anos e com a qual o frei Eugénio nos tentava dizer que a Fé se vive no dia a dia, nas pequenas escolhas que fazemos, na capacidade de nos empenharmos na realidades concretas. Esta e outras provocações tinham como cenário os “campos de descoberta” da paróquia de Cristo Rei no Porto.

Esta provocação está muito associada a uma grande vontade que sempre tive de me “meter no meio do barulho” … Passei por Associações de Estudantes, dei catequese, andei na política, no Banco Alimentar, e também pelo CREU (centro Universitário dos Jesuítas no Porto). Houve também uma passagem (não muito empenhada) pelo MCE de que fui militante durante dois anos.

Há muitas vezes a tendência para fazer, a nível do movimentos da Igreja, uma separação entre “grupos de oração” e grupos mais activos, nomeadamente os ligados ao espírito da acção católica motivados pelo ver, julgar e agir na cidade e para a cidade. Mas esta separação pode ser perigosa.

A questão é que nenhum grupo seja verdadeiramente de oração pode estar separado do mundo, num “lugar quentinho”, onde a consciência não dói. Os grupos de oração que não conduzam a uma verdadeira encarnação no mundo são pouco cristãos. A oração não é, não pode ser, uma fuga do mundo.

Mas, do mesmo modo, os grupos “mais activos” que passam por cima de uma verdadeira relação com Jesus alimentada por uma oração pessoal e comunitária correm o risco de se transformar em grupos ideológicos. E o cristianismo está longe de ser uma ideologia.

O grande problema está em estabelecermos dicotomias perigosas. A Fé não pode estar desligada de uma efectiva luta pela Justiça. Mas a Fé é uma relação de confiança com Jesus e é dessa relação (e não das nossas grandes ideias) que deve partir a luta pela Justiça É essa relação que deve alimentar as nossas inquietações e o nosso desejo de mudar o mundo.

Ora, se é certo que muitas vezes se corre o risco de promover uma espiritualidade que passa ao lado da encarnação, uma espiritualidade da fuga, também é verdade que às vezes há demasiada ideologia e até demasiada prática desligada da fonte.

Com estes comentários não quero, de forma alguma, colocar em causa o carisma próprio de cada movimento da Igreja. Quero chamar a atenção para o perigo de estabelecermos dentro da Igreja e dentro de nós próprios fronteiras entre realidades que devem estar interligadas.

P.S. O texto do Leonardo Boff que o Guia dos Perplexos cita é um óptimo exemplo de como é possível integrar a Fé e a vida.

Zé Maria Brito (MAIL)

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