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quarta-feira, junho 23

 

O ÚLTIMO TRAGO NA TABERNA ("E NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO, MAS LIVRAI-NOS DO MAL")

O meus últimos dois textos aqui publicados continham algures no final a frase "o vinho é para se beber moderadamente". Como indiquei no último texto aqui publicado, a frase tinha um sentido metafórico que, embora não explicitado, era óbvio: o vinho, entre outros significados, também poderia significar "espírito", ideias, etc.

O texto que hoje aqui ponho, embora não esgote as potencialidades metafóricas de tal expressão, visa clarificar um pouco o que tinha em mente quando a escrevi.

Não sou um especialista em teologia. Nunca li nenhuma obra sobre a interpretação do Pai Nosso. Julgo que tão célebre oração já foi dissecada e interpretada milhares (milhões) de vezes ao longo da história da Humanidade. Por isso, a interpretação que aqui empreendo hoje das frases finais do Pai nosso ou é absurda ou não é original. Mas é assim que gosto de pensar nelas.

Recorde-se a oração do Pai nosso que o Senhor nos ensinou:

Pai nosso que estais nos Céus
Santificado seja o Vosso Nome
venha a nós o Vosso Reino
seja feita a Vossa Vontade
assim na terra como no Céu
o Pão nosso de cada dia nos dai hoje
perdoai-nos as nossas ofensas
assim como nós perdoamos
a quem nos tem ofendido
e não nos deixeis cair em tentação
mas livrai-nos do mal.

E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.

Estas frases finais do Pai Nosso sempre me suscitaram uma certa perplexidade. Devo confessar que desde miudo nunca consegui perceber a construção gramatical desta parte. Cheguei a pensar que fosse uma incompreensão da minha parte.

Não sei se existe uma outra explicação de ordem teológica ou se a versão linguistica original permite compreender doutro modo esta parte. A minha incompreensão da construção gramatical desta parte residia no papel da palavra "mas" que normalmente significa que se abre uma excepção para o contrário daquilo que estamos a dizer ou que vamos contrapôr um argumento de ordem contrária. Por exemplo, eu hoje não estava a pensar em passar por aí, mas talvez tenha tempo para passar por aí. Os exemplos poder-se-iam repetir infinitamente. Era estranho que a expressão "não nos deixeis cair em tentação", tentação esta que é certamente a da prática do Mal viesse seguida da expressão "mas livrai-nos do Mal". Deveria ser "e livrai-nos do Mal".

Possivelmente a palavra "mas" representa uma necessidade de equilibrio. Não nos deixais cair na tentação do pecado (consumismo, inveja, superficialidade, etc., em suma, tudo aquilo que são comportamentos que traduzem a adopção de valores incorrectos, que, penso, são comportamentos que representam o pecado). MAS livrai-nos do mal. O mal aqui vejo-o representando a intolerância, o fundamentalismo, o dogmatismo, o radicalismo (por radicalismo entendo uma falta grave ao sentido da proporcionalidade). A História está cheia de casos que, começando pela defesa de causas e valores justos terminaram no Mal mais extremo, precisamente por incompreensão do facto que a luta contra o pecado e a defesa de valores justos tem que ser temperada com o equilibrio do bom-senso (que infelzmente é demasiadas vezes um poderoso argumento do pecado e de quem não quer lutar contra ele). Mas é mesmo assim. Nunca teremos a certeza de em nome do equilibrio estarmos a pactuar com o pecado mas temos que estar vigilantes para encontrar sempre o correcto equilibrio (mas livrai-nos do Mal).

Timshel (TIMSHEL)
Comments:
Não nos deixais cair na tentação do pecado

Mas quem nunca caíu na tentação do pecado pode cair no pecado supremo, a soberba
 
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