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quarta-feira, junho 9

 

A IGREJA DOS BONS E DOS MAUS

Não ostento, nem nunca ostentei, sinais exteriores da fé que professo: no tempo e na sociedade em que vivo não o considero necessário e até acho que é o mais saudável. Também não escondo aquilo em que acredito e não me parece que a religião seja algo remetível exclusivamente para o foro interno.
Já tem acontecido que, no meio de alguma conversa com alguém distante destas coisas das fés e das crenças, confessando eu ser cristão/católico, a outra pessoa reaja com espanto e até indignação. Vêm à baila a Inquisição, as cruzadas, as hipocrisias e outras iniquidades, passadas e presentes (e até antevisões de futuras), mais ou menos reais, mais ou menos congruentes.
Ora, sendo eu um fiel da Igreja Católica, praticante dos rituais, obediente à doutrina e aos preceitos, repito com os meus irmãos, Domingo após Domingo, desde que me conheço, que «creio na Igreja una». E, sabendo o que estou a dizer, não se me põe outra hipótese senão crer na Igreja toda, que ao longo de vinte séculos tem vindo a acolher no seu seio gente capaz do pior e do melhor; gente que matou, roubou, mentiu, extorquiu, mas também gente que soube amar até às últimas consequências, construir um mundo melhor, elevar-se pelas artes pela ciência ou pela cultura em geral. Dir-me-ão que não posso pôr todos no mesmo saco, que devo saber distinguir os bons dos maus exemplos. Mas não posso fragmentar o que é uno, indivisível.
Obviamente que tento ter consciência de quais os exemplos que devo seguir (não estou, pois, a defender uma atitude acrítica em relação à história ou ao mundo que me rodeia, nem a procurar justificar o injustificável) e é até nesse sentido que a própria Igreja propõe exemplos de santidade, ao canonizar pessoas que se destacaram pela sua aproximação a Cristo. Mas a própria vida dos santos está cheia de luzes e de sombras que, na sua maioria tiveram que enfrentar duras lutas internas (e externas) para passar para o lado dos "bons".
Não sou, portanto, capaz de fazer depender a minha adesão a esta Igreja que me acolhe, de um equilíbrio maniqueísta entre pontos positivos e pontos negativos. Sei que também eu sou capaz do pior e do melhor que a luta entre bem e mal é, antes de mais, uma questão que começa no coração de cada um e que ganha força na vida em comunidade.
Faz sentido para um cristão correr o risco de poder cair para o lado dos "maus": é o próprio Jesus que lembra que trigo e joio devem crescer juntos até à colheita (Mt 13, 24-30). Mas também Ele nos diz constantemente (nos Evangelhos e ao longo da História) para não termos medo.

Rui Almeida (RUIALME)

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