<$BlogRSDURL$>

 

 

 

   

 
 

terra da alegria


 
 
timshel guia dos perplexos cibertúlia poesia distribuída na rua a bordo baixa autoridade
 
     

segunda-feira, junho 21

 

AQUELAS DEZ MULHERES DE SHIRAZ...

Quando em 1984 aceitei a Fé Bahá’í, falava-se muito em perseguições religiosas no Irão. Um dos alvos do fanatismo da revolução iraniana tinha sido a comunidade bahá’í daquele país (creio que aconteceu com praticamente todos os regimes); muitas famílias bahá’ís que tinham possibilidades, abandonavam o Irão e instalavam-se noutros países.

Entretanto as notícias que iam chegando do Irão eram uma torrente de angústias. A casa do Báb, em Shiraz, tinha sido destruída; os membros da Assembleia Nacional dos Bahá’ís do Irão tinham sido enforcados; cemitérios Bahá’ís eram profanados; crentes socialmente conhecidos eram raptados e fuzilados... Não havia boas notícias vindas do Irão.

Desde o início da revolução islâmica 1979 que os Bahá’ís no Irão eram alvo de perseguições sistematizadas; dezenas de milhar ficaram sem emprego, viram as suas pensões de reforma canceladas, as empresas eram confiscadas ou encerradas; jovens e crianças foram expulsos das escolas.

Foi no Irão que nasceu a Fé Bahá’í; A comunidade bahá’í do Irão constitui a maior minoria religiosa daquele país (350.000 pessoas). Há muito tempo que os fundamentalistas islâmicos viam a nova religião como uma heresia e uma ameaça à sociedade. Princípios Bahá’ís como a revelação progressiva, a livre e independente investigação da verdade, a igualdade de direitos e oportunidades para as mulheres e a necessidade de instrução escolar para toda a população são conceitos que irritam os clérigos muçulmanos

Um dos momentos mais dramáticos das perseguições que se seguiram à revolução, deu-se em Junho de 1983, as autoridade iranianas prenderam dez mulheres que leccionavam aulas bahá’ís para crianças (o equivalente à catequese, em Portugal). Estas mulheres foram sujeitas a intensos abusos físicos e mentais, sempre com o objectivo de as forçar a negar a sua fé. Tal como a maioria dos Bahá’ís que tinham sido presos, mantiveram-se firmes.

No dia 18 desse mês, essas dez mulheres bahá’ís foram enforcadas. Este acto foi particularmente chocante para os Bahá’ís, pois vulgarmente apenas os homens eram alvo de execuções. A mais nova dessas mulheres era uma adolescente de 16 anos; chamava-se Mona Mahmudnizhad. A história de Mona mereceu muita atenção mediática: vários livros publicados, foram publicados muitos artigos em revistas e jornais e até um videoclip descrevendo o seu martírio foi lançado (link).

Nos anos seguintes, a Comissão dos Direitos Humanos da ONU foi condenando repetidamente o Irão; no início dos anos 90 as perseguições perderam o seu carácter violento; mas as discriminações continuaram.

Após 25 anos de Revolução Islâmica, os mulláhs bem poderiam fazer um balanço das suas perseguições aos bahá’ís; por paradoxal que pareça, as perseguições no Irão contribuíram para que a religião bahá’í se tornasse mais conhecida em todo o mundo; muitos crentes iranianos se espalharam pelo mundo e estimularam fortemente o crescimento das comunidades bahá’ís em diversos países; e o tema das perseguições levou a que a Comunidade Bahá’í ficasse conhecida nos organismos internacionais.

Não tivessem existido perseguições no Irão, e ainda hoje a comunidade Bahá’í seria quase desconhecida.

Fotos das 10 mulheres.

Marco António Oliveira (POVO DE BAHÁ)

sementes da terra
 
mail
 
 
anteriores
04.2004
05.2004
06.2004
07.2004
09.2004
10.2004
11.2004
12.2004
01.2005
02.2005
03.2005
04.2005
05.2005
06.2005
07.2005
08.2005
09.2005
10.2005
11.2005
12.2005
01.2006
02.2006
03.2006
04.2006
05.2006
06.2006
07.2006
08.2006
12.2006
 

 

 
 

terra da alegria. 2004.


 

This page is powered by Blogger. Isn't yours?